quarta-feira, 10 de março de 2010

Transparência nas relações

Hoje e sempre, e ainda deve durar mais um tempo, as pessoas normalmente não são elas mesmas nas empresas. Tirando a questão do papel de cada um, nas diversas áreas da vida, como diz a psicologia, as pessoas criam máscaras, engolem sentimentos e tornam as relações dentro de uma organização, falsas, hipócritas e há casos, em que algum o fazem por medo de perder o trabalho, mas isso não as retira do risco de terem problemas psicólogicos, de identidade ou psiquiátricos. Vamos focar um pouco, nas relações inter-pessoais nas organizações. Em vários níveis, desde o office-boy até o presidente, há um medo, um cuidado em não ofender a outra parte, ainda mais se ela for imediatamente superior na hierarquia, ou esta, for membro da família controladora da mesma. Este cuidado se desenrola até no momento da fala, da comunicação, onde se toma o maior cuidado em como falar, qual o texto, não contrariar a parte, enfim, para não se queimar é a frase da moda.

Note bem, MAS MUITO BEM MESMO, aos apressados e inferentes modernos, que não defendo a anarquia total, a falta de respeito ao próximo, o uso de palavras de baixo calão. Nada disso, absolutamente. Só defendo a TRANSPERÊNCIA nas relações, de ambos os lados. Ninguém vai deixar de ser líder ou ter sua liderança posta em cheque, se ouvir um colaborador, se debater profissionalmente, se aceitar. Um líder deve servir sua equipe, este é um líder moderno [1].

Se ouve ou se percebe nas empresas, algumas destas ações ou audições:

  • "Cuidado, ele é da família, não bata de frente". Sendo que o sujeito citado, está errado. Falar que ele está errado é bater de frente? Bom visão que tenho é ser profissional, no sentido de alertar que o caminho tomado não é aquele criado pelo sujeito. Mostra que você está preocupado com a empresa e ainda está ajudando a pessoa
  • "Lá no administrativo, demitiram 60 pessoas. Minha área está enxuta, mas preciso demitir ao menos um, para mostrar para eles, que não estou contra meus pares". É isso é real, aconteceu. Vamos alegrar os pares, pares estes que quase demitiram esta pessoa também
  • "A consultoria fez um monte de coisas erradas ou mesmo nem fez o que foi contratado. Mas não podemos falar isso diretamente. São contratados por alguém da alta direção. Temos que ser mais brandos". Quem é o cliente? Quem está pagando? Eu? Se fosse eles iriam trabalhar corretamente. Esta relação de troca, capital x serviços prestados não pode ser tratada de qualquer forma
  • "O gestor de minha área esta enganado. Não podemos deixar o projeto tomar este caminho". Não resolve falar isso para uma garrafa de cerveja no bar do Zé. Deve-se conversar com o gestor, de forma respeitosa, e mostrar os caminhos. Afinal ele e você e o resto do time, são uma equipe. Não são? Procure outro emprego, porque certas coisas, têm fundamentos e princípios
  • "Não, você não pode falar assim com ele. Ele é parente". E só por isso ele não erra?
 Não bata de frente, cuidado, obedece quem tem juízo, isso sim são coisas arcaicas. Ditam uma relação de autoritarismo e total falta de transparência nas relações (vide http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/o-mundo-corporativo-esta-doente-e-as-pessoas-nao-podem-mais-ser-elas-mesmas/27357/).

Vamos em defesa de um diálogo aberto, respeitoso, onde as partes envolvidas discutam as soluções. Afinal como já vimos, uma empresa é um grande sistema e se uma das partes vai mal, tudo acaba indo mal.

Fácil não é, porque existe a complexidade das pessoas, e muitas acreditam que estas regras negativas funcionam e devem ser assim aplicadas. Vivemos em um grande teatro corporativo, mas temos que tomar muito cuidado, pois ao chegar no camarim, podemos não refletir nossa imagem nele.

[1] HUNTER, James C. O monge e o executivo. A história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. 139p.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia internacional da mulher - parabéns!!

Sim, para os machistas de plantão, hoje é o dia internacional das mulheres, e que merecem nossa consideração, apreço, homenagens mil, já que elas têm uma jornada, não dupla, mas enésima;

  1. Trabalham fora de casa
  2. Algumas ainda estudam
  3. Cuidam da casa
  4. Cuidam dos filhos
  5. Cuidam do marido, se ele merecer. Caso contrário, acho que ele tem que ficar preocupado
  6. Representam hoje uma fatia considerável no aumento da renda familiar e na própria economia
Atividades estas diárias, aliadas ainda, apesar de já ter melhorado muito, à conquista de espaço no mercado de trabalho.

Parabéns a todas as mulheres deste mundo, e parabéns para a minha duas vezes: também é seu aniversário. 

sexta-feira, 5 de março de 2010

Gestão de projetos - desafio, além da disciplina, cultura : as pessoas

Em um ambiente de total falta de método, onde:

  1. Falta planejamento
  2. Falta projeto
  3. Não havia método e processo para desenvolvmento de sistemas
  4. Tudo tinha, e tem, que sair à base da força bruta, seja com horas extras, com equipe virando noites e noites
  5. Assédio moral é algo leve naquela organização, mais precisamente, naquele departamento
Um dia o gerente decidiu que iria utilizar a gestão de projetos, e delegou isso a um de seus colaboradores. Ohhhhhh, será? Bem - vamos aproveitar este momento de ação divina - pensou o colaborador. O processo de implantação da gestão de projetos, iniciou com um treinamento para a equipe, conceituando planejamento e projetos, bem como suas vantagens, técnicas e afins. Já no treinamento, que era efetuado antes do horário de trabalho, alguns começavam a dormir. Falta de respeito, porque as pessoas muitas vezes reclamam de falta de condições no trabalho e quando alguém busca uma melhora, eles começam a boicotar.

Voltando ao ponto, a implantação teve sua continuação com :

  1. Esforços para fazer planejamento. A equipe ainda estava na cultura do sair fazendo, sem olhar as necessidades, enfim, traçar um plano. E a pessoa de projetos, precisava saber o que era preciso para cada projeto, pois atividades precisam ser descobertas, com seus tempos e recursos necessários
  2. Criação dos cronogramas, com base no planejamento, que ainda era deficiente, pois a equipe estava resistente. Reclamava da falta de análise, mas quando teve a oportunidade, a deixaram de lado
  3. Acompanhamento do cronograma. Junto a equipe, o que é atividade comum da gestão de projetos, mas eles não queriam, eram resistentes. Quem ficou com o cargo de implantar a gestão de projetos, estava fazendo tudo certo, mas não tinha poder para chamar a equipe à responsabilidade. Quem deveria ter deixado isso claro, era o gerente da área. E não o fez, só pediu para implantar, mas depois o deixou de lado. Faltou apoio
 Foram dias difíceis, de forma que eles queriam resultados rápidos, com a metodologia funcionando perfeitamente, desde que eles não precisassem ser envolvidos. Chegou, várias vezes, ao seguinte:

  • Dado um projeto, em conversa com um dos recursos humanos, ele disse que não seia possível fazer um conjunto de atividades, com menos de 10 dias. Sem problemas, foi justificado - pensou a pessoa de projetos - e levou o status dos projetos para o gerente da área. O gerente achou absurdo os 10 dias do projeto citado e, chamou o colaborador. Na frente do gerente, este disse que em uma virada de noite ele fazia tudo aquilo. Fez isso diversas vezes, e mesmo com a intervenção da pessoa de projetos, questionando porquê ele havia dito uma coisa para ele, e para o gerente outra. Queria na verdade era ganhar hora extra!, essa é a realidade
 Disso tudo ficou uma lição, que não é regra, não quero pensar assim, pois acredito nas pessoas. tem gente que reclama, mas quando ter a oportunidade de melhora, não aceita, joga contra. Ficou ainda que, a equipe reclamava das horas extras, por trabalhar demais, sem tempo para suas vidas, mas quando tiveram a oportunidade, jogaram contra. Eles queriam eram receber as horas extras, mesmo sendo massacrados.

Outra história é com relação ao gerente de sistemas da área. Uma vez a pessoa de projetos foi proteger a equipe, dizendo que eles estavam trabalhando demais e por isso ele havia colocado uma determinada data, como feriado, que era, no cronograma. O gerente o xingou, o que não vale citar aqui e ainda perguntou se ele era a Madre Tereza. Mas pelo xingo, ele recebeu uma resposta, pedindo mais respeito. Xingá-lo, o levaria ao mesmo patamar dele: o esgoto.

Resumindo, o nosso amigo gestor de projetos, tinha vários projetos em sua carteira, mesmo com as dificuldades, estavam em dia e gerenciados. Um belo dia, a pressa e promessa de vendas bateu de frente com a gestão de projetos, onde desejavam que fosse desenvolvido um sistema. Não havia mão de obra disponível, pois estavam alocadas em outros projetos, todos prioridade (dois corpos não ocupam o mesmo espaço, isso ainda é válido). Foi proposta a parada de algum projeto para uso do recurso, ou seja, flexibilidade. Não foi aceito pelo comercial. A pessoa de projetos foi demitida, por deixar o processo muito burocrático!! (na visão do comercial)

Foi injusto. E até hoje o imediatismo impera naquele lugar.

    História de todos os dias: vai enrolar longe !!

    Uma indústria de grande porte, que trabalha durante 24 horas por dia, 7 dias na semana e os 365 dias do ano e, muitos de seus colaboradores, do alto escalão, se entristecem por saber que o ano só tem 365 dias, poderia ter mais, pensam eles.

    O ambiente é de total pressão, stress, um verdadeiro moedor de mentes e de carne, com gestores extremamente ignorantes, no sentido de maltratar seus funcionários, xingar, fazer pressão psicológia, enfim, assédio moral é o que melhor define a relação naquele ambiente. Mas, sempre tem alguém que vê uma oportunidade em tudo isso, já falamos sobre a oportunidade neste blog, e esta é um exemplo, mesmo que negativo.

    Bem, um colaborador da área de sistemas, que desenvolvia sistemas com a finalidade de atender os clientes finais desta empresa, sendo bancos alguns deles, enrolava o tempo todo, durante o horário de trabalho comercial e tudo isso para depois fazer hora extra, ganhar dinheiro e ponto. Mas somando-se o horário de trabalho comercial mais as horas extras, muitas vezes, o trabalho não era tão produtivo, o que era para  ser feito em 24 horas (8 horas em 3 dias), seria feito em 48 horas, mas com 12, 16 horas de trabalho. Além disso, ele fazia tudo isso com requintes de certa crueldade: sempre levava alguém da equipe junto, para ficar fazendo horas extras com ele, sem necessidade, mas esta era a estratégia para que conseguisse ganhar dinheiro e enrolar o dia todo.

    Tinha uma comunicação perfeita, do ponto de vista negativo, pois saia falando para tudo e para todos, que haviam problemas a serem resolvidos, estava tudo lascado (para não escrever outra coisa) e todos compravam as  suas idéias e comunicados. Até o gerente.

    Outra estratégia, maldosa por sinal, era a seguinte: ele mostrava o código do programa que estava desenvolvendo, para outro da equipe ou, pedia para que fizesse uma análise ou mesmo complementasse, já que ele iria fazer outra atividade do "projeto". Esta vítima não tinha nada com este "projeto", estava em outro, mas este indivíduo passava toda a responsabilidade para este desavisado, que passava a receber as cobranças pelos resultados, erros e entrega do sistema. E ele? Só coordenando, cobrando o pobre desavisado. Isso durou cerca de 3 anos, mas um dia o gerente acordou,  percebeu, e o demitiu. Incrível, ele acordou!

    Neste ambiente, não havia, não existe, e não existirá planejamento, projeto, análise, NADA, absolutamente nada. Metodologias para eles, nenhuma funciona, mas nunca usuram. Quem tentou colocar projetos naquela empresa, foi demitido porque desagradou os que dizem que tudo é possível em 1 dia, o comercial. Estamos falando de sistemas validadores de dados e de certa forma complexos. O cliente define o prazo, e o gerente aceita e, depois coloca a equipe para virar noites e noites, com pressão, com descaso, em um ambiente de terror psicológico total.

    Temos no mercado de tudo um pouco: colaboradores que enrolam, outros que trabalham. Temos empresas boas e empresas ruins.

    O que entristesse é que eles não aprendem nada com estas situações, e atender o imediatismo de seus clientes, com ações imediatistas, continua sendo o método deles. Este método é o TEM QUE. Tem que sair, tem que dar certo, tem que ser rápido, tem que ser com qualidade, tem que ser em um dia, tem que não ter análise, tem que não ter planejamento...

    quinta-feira, 4 de março de 2010

    Uso de métodos e ferramentas. Chega de dizer que não funciona


    Para praticamente tudo na vida, precisamos de algo que indica como fazer, indicar o caminho, com procedimentos claros, formas de se fazer e preferencialmente, que possa ser repetido quando necessário. Todo este conjunto de ações e afins, são criados para serem seguidos dentro de um determinado contexto de uso. Estamos falando dos métodos e das ferramentas. Conceituando método, a partir de várias fontes:

    1. Como fazer, é um conjunto de técnicas, que têm princípios básicos e devem ser seguidos e repetidos [1]
    2. Modo ordenado de proceder, prudência[2]

               A primeira definição é da engenharia de software e a segunda, de um dicionário. A primeira não se anula, mesmo fazendo parte da área de tecnologia, o conceito é válido e serve para qualquer área e aplicação. O método é sempre apoiado, ou deve ser, pelas ferramentas, que são os meios que propiciam que o método seja efetuado mais rapidamente, com qualidade, com controle, em um tempo de execução aceitável (dentro de cada contexto). Na área de informática, existem alguns aplicativos que fazem o trabalho de automatizar o método, são as chamadas ferramentas case. Na administração, por exemplo a financeira, tem-se o fluxo de caixa, o demonstrativo financeiro, o balanço como ferramentas de onde se pode conhecer a situação atual de uma empresa.

    São inúmeros os métodos e ferramentas disponíveis no mercado, para a maioria das áreas e, muitas vezes, método e ferramenta se fundem, sugerindo uma coisa única.

    Podemos citar:

    1. Temos a análise de sistemas, estruturada, que já tem seus bons anos de mercado, seja de Gane ou do Yourdon. Nesta, fluxogramas são utilizados como forma de documentar e definir um sistema. São feitos levantamentos do contexto, dos processos de uma organização (alvo do sistema ou processo) para, assim, desenvolver o sistema ou melhorar processos. Alguns a utilizam em partes ou mesmo de forma automática (alguns de seus métodos), como por exemplo, a criação da base de dados (nela são os depósitos de dados, com dicionário dos mesmos). Não se usa porque têm muitos diagramas, leva tempo para fazer e depois mantê-los;
    2. Temos a análise orientada a objetos, que já tem, no mínimo, seus 20 anos e até hoje é utilizada em partes por alguns, não entendida por muitos outros, mas plenamente presente em linguagens atuais como Java ©, Delphi ©,.net, Prolog entre outras. Além de símbolos gráficos, permite também levantar e documentar sistemas a serem desenvolvidos ou mesmo atualizados. O motivo da falta de uso, normalmente é a falta de tempo, de conhecimento pleno por parte das equipes (não todas), falta de vontade em aplicar técnicas;
    3. Gestão de projetos (seja PMI ©, Prince ©, OPM ou outra qualquer), cujo objetivo é colocar em prática, seguindo algumas regras estabelecidas por estas metodologias e/ou institutos, o uso de projetos nas empresas. Cada uma das citadas, têm em sua estrutura um conjunto de processos, procedimentos e técnicas para que sejam aplicados no dia a dia dos projetos, sejam eles organizacionais ou não. O PMI é o mais utilizado pelo mercado, mas ainda tem resistência, já que há necessidade de planejamento (o que para muitos é perda de tempo), disciplina por parte dos envolvidos (equipes, gestores, clientes etc), mas quem usa, sabe que dá resultado. Sou exemplo disso. Os motivos da falta de uso ou implementação com muitos problemas,é praticamente a mesma das outras acima, com a adição da falta de paciência para planejar, falta de comprometimento, a pressa por obter resultados mirabulantes, falta de conhecimento da metodologia entre outras coisas. Tem um volume considerável de empresas pedindo gestores e técnicos nesta área, mas na hora de implementar a banda toca de outra forma;
    4. Planejamento e controle de produção, ao que tange a técnicas de otimização da fábrica (layouts, máquinas, pessoal, matéria prima, tecnologia e afins), com o objetivo de obter uma produção com o menor número de desperdícios possíveis, um produto de qualidade, com custos baixos (competitivos em relação ao seu mercado/concorrentes). Para a indústria ou mesmo empresas que fazem algum tipo de transformação em seus produtos, por menores que sejam, este é um departamento e um conjunto de técnicas que possibilita à organização ou boa margem de lucros, desde que coloque em prática algumas das citadas técnicas/funções e tudo isso alinhado com os objetivos da organização e com atenção, às relações com os outros departamentos da empresa. Hoje e há muito tempo, os sistemas de informação estão preparados para servir este departamento com informações para o plano mestre de produção e assim, se for o caso, o trabalho com MRP II;
    5. O CRM (customer relashionship management), que possui estratégias para a fidelização (retenção) de clientes. Além de uma ferramenta para apoio aos métodos propostos por ela, pode alavancar as vendas das empresas, conhecendo as necessidades e tendências de consumo de seus clientes. Em suas quatro estratégias, ela prevê a identificação do cliente, a sua diferenciação (por potencial ou por faturamento), a interação e a personalização de produtos e/ou serviços. Está ligado aos departamentos de vendas e marketing, mas precisa de informações do financeiro, enfim, é apoiado por toda a organização. Seu uso, na maioria das vezes equivocado, é focado no aumento do número de clientes, ou seja, busca de mais clientes e não na fidelização dos mesmos. Não precisa andar muito para se ver hoje, facilmente, coisas do tipo “venha fazer um curso de inglês conosco e tenha 30% de desconto”, enquanto os alunos veteranos, não têm desconto algum. Os veteranos estão lá, sustentando o negócio, e o novo tende a ser algo passageiro, já que neste exemplo proposital, há uma rotatividade de alunos enorme;
    6. Obaaaa, agora é a reengenharia que veio para salvar as empresas, ditando que poderiam jogar fora 200 anos de conhecimento gerencial [3], é o momento rever processos, jogar tudo que se tinha até o momento fora e começar tudo de novo. “Só deixaram as pessoas de lado”, como Hammer mesmo se desculpou em meados de 2000. Mas não é este o alvo do texto e sim, o volume de demissões, reestruturação mal feitas, com pressa (mais uma vez ela presente), onde acreditavam que a reengenharia salvaria seu negócio. Algumas sobreviveram, outras, entraram rumo à entropia mais rápido ainda;
    7. Extreme Programming, o chamado XP, conjunto de técnicas, métodos, procedimentos que visam o desenvolvimento de sistemas de forma mais rápida que outras metodologias existentes na engenharia se software, de forma a entregar incrementos de programas em curto espaço de tempo e versões maiores a cada 30 dias. Prevê em seu método, a possibilidade de alterações durante o desenvolvimento, o usuário deve participar do processo de desenvolvimento, a equipe deve ser auto-organizada entre outras coisas. Muito em voga, o mercado está pedindo profissionais com este conhecimento, mas tem gente que deseja que o Extreme seja ainda mais rápido do que o proposto, de preferência perto de um salto quântico1 [4]
    8. Modelagem de dados, voltado para a área de tecnologia da informação, é um conjunto de métodos, cujo foco é criar um banco de dados com as informações importantes de uma organização. Ela inicia com o contexto, a empresa, a ser estudada. Depois descobre quais dados são importantes para armazenamento e futura consulta [atributos] e, de onde estes vêm [entidades]. Descobre quais as relações entre estes dados e finalmente o banco de dados tem sua estrutura definida e pode ser criado. O processo aqui foi resumido e escrito de forma a que todos entendam. Uma modelagem deficiente, tende a deixar o banco de dados sem integridade, lento, pesado, muitas vezes dificultando o desenvolvimento e alteração das aplicações para uma empresa. Dificulta ainda, que o sistema acompanhe as novas necessidades da organização. E não tem milagre, podem chamar consultorias, eles vão ter dificuldades na extração destes dados para, disponibilizá-los em outro sistema. Modelo de dados é a base de qualquer sistema. Começou errado, fica errado e termina errado. Porque não se aplica? Bem, não se pode dizer que não se aplica, mas fases ficam de fora do processo, muitas vezes o levantamento de dados e necessidades é deixado de lado, ou feito de forma ruim, mais uma vez pela pressa, pelo imediatismo
               Poderia passar o tempo todo aqui colocando outros métodos/ferramentas, como análise SWOT, balanced Scorecard, técnicas de gestão etc.

                Acredite ou não, para tudo nesta vida se precisa de método e de uma boa ferramenta, seja em que área for:
    1. Tente cozinhar feijão em uma panela comum. Vai sair, mas com um tempo muito maior, e um custo maior. A ferramenta panela de pressão é melhor. E deve existe método para colocar o feijão e a quantidade de água correta
    2. Furar uma parede com um prego (método), para colocar uma bucha, ao invês de usar uma furadeira e, claro, com broca apropriada para tal (ferramenta)
    3. Dar tranco para que o carro pegue (método), sendo ele um carro com injeção eletrônica. Pode pegar, mas o mecânico em breve ficará feliz
    4. Ficar listando a estrutura das tabelas de um banco de dados, ao invés, de tê-la em uma ferramenta Case apropriada
    5. Saber se uma empresa está bem financeiramente, sem dados, sem fluxo de caixa montado, sem balanço, demonstrativo e afins
    6. Etc
               A questão é a seguinte: temos um grande volume de ferramentas e métodos, mas que são sub-utilizados ou nem isso. Chega de falar que esta ou aquela não funciona, se nem ao menos conhece ou tentou utilizar. Muitos destes métodos, processos, demoram um certo tempo para serem absorvidos por uma organização. Isso quando a envolve como um todo. Há outros que são utilizados em algumas áreas, como TI ou administração, basta ter mais vontade e menos obsessão por resultado fácil. Métodos não são perfeitos, pois fomos nós que desenvolvemos, mas crie o seu, com sua equipe, usando os métodos já existentes como base. 

              Pegue o melhor de cada um, acrescente suas idéias nos pontos falhos e pronto. Criou-se um conjunto de melhores práticas, basta segui-las, ter disciplina para isso.

               Fácil, não é, mas alguém tem que começar. Chega de olhar o alvo, abaixar a cabeça e correr para pegar, como o bode faz. Se o alvo se mexer, ele passar direto.

    [1] PRESSMAN, Roger S. Engenharia de software. 6a ed. São Paulo: McGraw Hill, 2005. 720 p.
    [2] ROCHA, Ruth. Minidicionário da língua portuguesa. São Paulo: Editora Scipione, 2006. 831 p.
    [3] HAMMER, Michael; CHAMPY, James. Reengenharia revolucionando a empresa. 28ª ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1994. 197 p.
    [4] ARNTZ, William; CHASSE, Betsy; VICENTE, Mark. Quem somos nós?. Rio de Janeiro: Prestigio editorial, 2005. 276 p.
    1 Salto quântico está voltado aos elétrons. Neste, eles mudam de orbita, aos saltos, cada vez mais se distanciando do núcleo

    Frases

    "Quando você está trabalhando, você é o que faz. E quando está desempregado, é o que?"

    "Perca tempo planejando. Pensamento de alguns. E depois, ganhe um inferno astral por esta omissão."

    "Temos o micro-ondas, temos o controle remoto, temos a internet para pagar as contas, temos a máquina de lavar, o fast-food, enfim a tecnologia ao nosso serviço. E ainda tem muita gente sem tempo. Tem alguma coisa errada aí! "

    "Você tem limites, acredite ou não. Não resolve se comparar com outros, porque eles supostamente podem mais. Um dia o seu sistema nervoso vai desligar a chave e o deles também."

    quarta-feira, 3 de março de 2010

    E nós precisamos mudar...

           Devido a, que é uma forma não aconselhável na norma culta, mas sim em face de ouvimos das empresas o seguinte:

    • Má administração da diretoria, que já foi demitida, nossa empresa entrará em um novo momento, passando por uma reestruturação
    • Problemas da empresa, onde precisamos trocar o sistema, para que o novo possa suportar a nova operação
    • Estamos perdendo mercado e desta forma, precisamos reagir
    • Precisamos mudar, para podemos acompanhar o nosso mercado, para assim atender melhor às necessidades de nossos clientes
    • Nossos clientes estão exigindo certificação ISO. Precisamos implementar
    • Estamos perdendo capital humano, que é importante para nossa organização, desta forma precisamos criar estratégias para retê-los ou mesmo, atrair novos talentos
    • Perdemos 50% de nosso faturamento
    • Etc, etc, etc
    A frase que se segue é a seguinte: “e nós precisamos mudar...”. Sim, em todos os casos acima, reais e do dia a dia, alguns mais brandos e outros mais sérios há necessidade de mudar a forma com o negócio é conduzido. Seja com o pessoal interno, seja com pessoal externo (consultores e afins) ou ambos, há necessidade que se faça alguma coisa, nem que seja deixar o barco afundar, o que não é salutar para ninguém.

    Mas não basta simplesmente dizer “e nós precisamos mudar...” sem que nenhuma ação seja feita, sem que planos sejam traçados (planejamento e plano de negócio), deixar simplesmente que se viva o dia a dia, com ações isoladas. E isso é o que mais se vê em algumas empresas, se diz querer mudar, mas não faz nada de efetivo para que isso e não deixa que ninguém o faça. Este ninguém pode ser:

    1. Gestores que desejam mudar suas ações, colocando idéias e ações para mudar a empresa. Mas não têm apoio algum do alto escalão
    2. Colaboradores que desejam ajudar a empresa a sair do abismo, mas não são apoiados por seus gestores ou mesmo pela alta direção
    3. Alguém coloca idéias, métodos, ferramentas, enfim, mostra uma luz, mas nada sai do papel, por falta de apoio ou vontade
    4. Consultores tentam resolver os problemas, mas viram meros expectadores do desastre eminente. Por falta de apoio. E ainda recebem por isso
    5. Contratam uma pessoa ou pessoas para tentar salvar a empresa, mas estes ficam com as mãos atadas, já que não podem tomar decisões ou mesmo não são ouvidos. É ilógico, mas tem muitas empresas que fazem isso

    São inúmeras variáveis a serem consideradas, bem como a necessidade de uma análise profunda, mas neste tipo de contexto, nada é linear. Só que alguma coisa precisa ser feita.

    De qualquer forma a experiência diz o seguinte:

    1. Falta vontade real de mudar, porque isso tira as pessoas da sua zona de conforto
    2. Falta conhecimento
    3. Falta método (forma de fazer as coisas, disciplina, ciclos)
    4. Falta planejamento
    5. Acredita-se que as ações têm que ser rápidas, e desta forma, tomam-se decisões isoladas e imediatistas, que tendem a piorar o caos
    6. Falta visão sistêmica, para muitos. Pois decisões erradas ou certas, vão influenciar positivamente ou negativamente. Na maioria ainda, é negativa, aumentando os problemas ainda mais
    7. Sugere que as pessoas não querem resolver problemas1. E isso eu não quero acreditar, não quero mesmo! Mas, às vezes, fico na dúvida. Kurzweil cita isso em “a era das máquinas espirituais”
    8. Falta comprometimento, que é diferente de envolvimento! Todo mundo está envolvido na semana da segurança do trabalho. Mas quem está realmente comprometido, para que esta dê os resultados esperados e atinja a sua proposta?
    9. Acaba-se por desmotivar quem realmente quer que mudanças ocorram. Alguns colaboradores querem que a empresa melhore e tenha sucesso. Mas isso não é linear, vai depender muito de como eram tratados estes colaboradores, quantas mudanças a empresa ensaiou e não fez, e em todas estas vezes, se os colaboradores foram chamados para darem apoio e vestirem a camisa, e nada aconteceu. E isso só vem a dificultar de forma exponencial, ações de um gestor (a) de mudanças, caso a empresa tenha uma ou venha a contratar
    Tudo isso posto, quando se identifica a necessidade de mudança em uma empresa, há necessidade de se tomar ações, como planejar, conhecer seus problemas reais, se utilizar de métodos e ferramentas (mapeamento de processos, análise SWOT etc), ter um plano de negócios definido (com objetivos e metas mensuráveis, onde queremos chegar?), ter colaboradores motivados e comprometidos (não envolvidos simplesmente) etc.

    Mais importante ainda é: vontade REAL de mudar. Não se pode dar remédio para o doente que não quer ser curado.

    [1] KURZWEIL, Ray. A era das máquinas espirituais. São Paulo: Editora Aleph, 2007. 509 p.