quarta-feira, 10 de março de 2010

Transparência nas relações

Hoje e sempre, e ainda deve durar mais um tempo, as pessoas normalmente não são elas mesmas nas empresas. Tirando a questão do papel de cada um, nas diversas áreas da vida, como diz a psicologia, as pessoas criam máscaras, engolem sentimentos e tornam as relações dentro de uma organização, falsas, hipócritas e há casos, em que algum o fazem por medo de perder o trabalho, mas isso não as retira do risco de terem problemas psicólogicos, de identidade ou psiquiátricos. Vamos focar um pouco, nas relações inter-pessoais nas organizações. Em vários níveis, desde o office-boy até o presidente, há um medo, um cuidado em não ofender a outra parte, ainda mais se ela for imediatamente superior na hierarquia, ou esta, for membro da família controladora da mesma. Este cuidado se desenrola até no momento da fala, da comunicação, onde se toma o maior cuidado em como falar, qual o texto, não contrariar a parte, enfim, para não se queimar é a frase da moda.

Note bem, MAS MUITO BEM MESMO, aos apressados e inferentes modernos, que não defendo a anarquia total, a falta de respeito ao próximo, o uso de palavras de baixo calão. Nada disso, absolutamente. Só defendo a TRANSPERÊNCIA nas relações, de ambos os lados. Ninguém vai deixar de ser líder ou ter sua liderança posta em cheque, se ouvir um colaborador, se debater profissionalmente, se aceitar. Um líder deve servir sua equipe, este é um líder moderno [1].

Se ouve ou se percebe nas empresas, algumas destas ações ou audições:

  • "Cuidado, ele é da família, não bata de frente". Sendo que o sujeito citado, está errado. Falar que ele está errado é bater de frente? Bom visão que tenho é ser profissional, no sentido de alertar que o caminho tomado não é aquele criado pelo sujeito. Mostra que você está preocupado com a empresa e ainda está ajudando a pessoa
  • "Lá no administrativo, demitiram 60 pessoas. Minha área está enxuta, mas preciso demitir ao menos um, para mostrar para eles, que não estou contra meus pares". É isso é real, aconteceu. Vamos alegrar os pares, pares estes que quase demitiram esta pessoa também
  • "A consultoria fez um monte de coisas erradas ou mesmo nem fez o que foi contratado. Mas não podemos falar isso diretamente. São contratados por alguém da alta direção. Temos que ser mais brandos". Quem é o cliente? Quem está pagando? Eu? Se fosse eles iriam trabalhar corretamente. Esta relação de troca, capital x serviços prestados não pode ser tratada de qualquer forma
  • "O gestor de minha área esta enganado. Não podemos deixar o projeto tomar este caminho". Não resolve falar isso para uma garrafa de cerveja no bar do Zé. Deve-se conversar com o gestor, de forma respeitosa, e mostrar os caminhos. Afinal ele e você e o resto do time, são uma equipe. Não são? Procure outro emprego, porque certas coisas, têm fundamentos e princípios
  • "Não, você não pode falar assim com ele. Ele é parente". E só por isso ele não erra?
 Não bata de frente, cuidado, obedece quem tem juízo, isso sim são coisas arcaicas. Ditam uma relação de autoritarismo e total falta de transparência nas relações (vide http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/o-mundo-corporativo-esta-doente-e-as-pessoas-nao-podem-mais-ser-elas-mesmas/27357/).

Vamos em defesa de um diálogo aberto, respeitoso, onde as partes envolvidas discutam as soluções. Afinal como já vimos, uma empresa é um grande sistema e se uma das partes vai mal, tudo acaba indo mal.

Fácil não é, porque existe a complexidade das pessoas, e muitas acreditam que estas regras negativas funcionam e devem ser assim aplicadas. Vivemos em um grande teatro corporativo, mas temos que tomar muito cuidado, pois ao chegar no camarim, podemos não refletir nossa imagem nele.

[1] HUNTER, James C. O monge e o executivo. A história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. 139p.

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